E.M.E.F. do Complexo Escolar Marília Sanchotene Felice
Nosso primeiro ano letivo chega ao fim
No final de 2010, solicitei alteração de designação para a nova escola da Pinheiro Machado, que até então não tinha nome, o motivo era por ser mais próxima de minha casa e de fácil acesso. Outro motivo que contribuiu para a escolha era o espaço físico amplo.
Ao se aproximar o inicio do ano letivo, recebi o convite para assumir a supervisão do turno da tarde. Aceitei o convite quase sem pensar, pois era mais um desafio. Sabia que poderia contribuir com a minha experiência de vinte e cinco anos de docência. Já havia passado por todas as séries do ensino fundamental e médio e ainda, havia a experiência como membro da Comissão de Estágio Supervisionado do Curso Normal da escola Elisa Valls.
Até então, eu não havia percebido a importância de que seria ocupar a nova função em uma escola que ainda não existia que não tinha identidade, era apenas o prédio.
Aconteceu, então, a primeira reunião com o Secretário de Educação, a equipe pedagógica da SEMED, diretora da escola e alguns professores, pois o quadro ainda não estava completo. Foi que me dei de conta da responsabilidade de iniciar a nova escola. Seríamos os primeiros, direção, coordenação, professores, funcionários, alunos e pais. Caberia a nós dar a cara e a identidade do Marília Sanchotene Felice, transformar o novo prédio num educandário.
Iniciamos do zero, não havia nada nos computadores. Tudo teve que ser elaborado, construído, cada folha, cada documento.
No inicio era apenas a diretora, uma supervisora em cada turno e uma orientadora no turno da tarde.
Antes de receber os alunos, nos reunimos durante uma semana para nos conhecer, conhecer o PPP, o Regimento e os Planos de Estudo da Nova Escola.
Havia muita expectativa no grupo, alegria, entusiasmo e a certeza de que queríamos transformar aquele espaço num local alegre e prezeroso de se estudar e conviver. Assim, recebemos nossos alunos. Nascia a escola de ensino fundamental do Complexo Escolar Marília Sanchotene Felice.
Nossos alunos oriundos de várias escolas e bairros, agora eram nossos! As dificuldades de adaptação foram muitas: indisciplina, imaturidade, quadro de funcionários e professores incompletos, sem uma guarda para auxiliar.
O espaço físico e os materiais que chegavam nos davam a noção da qualidade dos recursos que teríamos.
No começo, o pedagógico só apagava incêndios e resolvia problemas de indisciplina.
Somente no final de abril, a equipe passa a ficar completa com a chegada de uma vice-diretora, de coordenadores de turno, funcionários de limpeza e merendeiras.
Os fatos negativos repercutiram na mídia e na cidade. A falação era geral, nossos alunos os piores da rede. Como se os problemas de indisciplina não existissem em outras escolas.
A cada comentário, nos entristecemos, são fatos isolados, problemas que qualquer escola tem e que se empenha em resolver. Nossos alunos são amorosos, educados, responsáveis e estudiosos...
Os fatos repercutem, a cada novo acontecimento, lá estamos nós na mídia. Tudo isso fazia com que muitos professores e funcionários não quisessem trabalhar no Marília.
No dia sete de setembro quando desfilamos, ao passar em frente do palanque oficial, nos emocionamos, ali estava a nossa comunidade escolar com muito orgulho.
Recentemente tivemos nossa Primeira Mostra Pedagógica. Excelentes trabalhos foram apresentados por nossos alunos e professores. Foi motivo de orgulho para todos.
Temos uma comunidade carente de afeto, que necessita da nossa compreensão, do nosso carinho, do nosso entusiasmo e da nossa alegria. Temos orgulho, sim, de estar ali contribuindo para formar a identidade de nossa escola.
Temos uma bonita caminhada, crescemos cada dia. Temos excelentes professores e alunos, bons pais sempre prontos a ajudar, que nos apoiam e procuram caminhar conosco.
Ao se aproximar o final do primeiro ano letivo, tenho orgulho de dizer: EU TRABALHO NO MARÍLIA!
Nossa caminhada é como um livro que “o coração nos ensina que há temores, que há fracassos e maldades, que há batalhas pra ganhar. E em cada página o amor nos transforma em um lutador...” (Trecho da música Heroe – Il divo).
O texto foi escrito antes do término de 2011.