Lúcia Já-Vou-Indo não sabia andar depressa. De maneira nenhuma. Andava devagar, falava devagar,chorava e ria devagarinho e pensava mais devagar ainda.
Muito natural, pois ela era uma lesma.
Um dia, dia Lúcia recebeu um convite para festa. Levou o dia inteiro para ler o convite que dizia assim:
“Chispa-Foguinho, a libélula, convida você para uma festa dançante, embaixo do Pé de Maracujá, às oito horas do dia 30 de Janeiro. Comes e bebes, muita música, muita alegria, tudo de bom, do melhor e de graça.”
Mal acabou de ler, Lúcia já foi se preparando para a festa. Queria se pôr a caminho imediatamente, embora faltasse ainda uma semana.
_ Juro que vou chegar na hora! _ disse para si mesma. E começou a lembrar as muitas festas que havia perdido por chegar sempre atrasada.
Nesse instante, o relógio da sala bateu três horas da tarde e Lúcia teve um sobressalto.
Pois não é que já perdera duas horas pensando naquelas coisas? E começou a se arrumar afobadamente.
Pôs na cabeça uma peruca de cachinhos com um laçarote de fita cor-de-laranja, e com isso perdeu um dia inteirinho.
Encheu uma cesta com brotinhos de alface para ir comendo pelo caminho, e lá se foi mais um dia. Deu corda no relógio para que não parasse na sua ausência e outro dia perdeu.
Só faltava fechar a casa e ela perdeu nesse serviço mais um dia.
Enfim a molenga se pôs a caminho, tendo exatamente três dias para chegar ao Pé de Maracujá que não era muito longe.
Maria Heloísa Penteado
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